quinta-feira, 2 de agosto de 2012

ASSIM CAMINHA O ESPIRITISMO NO PIAUI


Getulio Vargas iniciaria o ano de 1951 à frente do Executivo Nacional, com seu vacilante e polêmico mandato, em meio ao clima de desconfiança face à ditadura implantada em seu governo anterior. No Piauí, Pedro de Almendra Freitas igualmente assumiria o poder no nascer do ano vindouro, abrindo caminho para a oligarquia da qual foi o patriarca. O nordeste sofria uma grande seca, tornando-se mais um desafio para o já temerário governo Vargas, que se dividia nos desafios de combater a fome no semi-árido, explorar petróleo em território nacional e escapar das manobras políticas dos adversários. Em Teresina, João Mendes Olimpio de Melo, filho do Matias Olimpio, ex-Juiz de Direito, governador e senador pelo Piauí, fora eleito prefeito municipal.

Havia apenas 19 anos que o Espírito Emanuel apresentara-se ao médium Chico Xavier, em Pedro Leopoldo-MG, dando início ao valoroso serviço psicográfico, já tendo sido produzidos 50 ótimos livros, iniciando com Parnaso de Além Túmulo, de 1932, incluindo obras esclarecedoras e de linguagem acessível sobre a vida no plano espiritual, como é o caso do livro Nosso Lar, do espírito André Luiz.

Dez anos haviam se passado desde a reforma do Código Penal (1940), que deixou de criminalizar formalmente a prática do Espiritismo, fardo pesado que a Doutrina sofria no Brasil desde a Proclamação da República, motivo de ataques violentos da imprensa, incrédulos e opositores de toda a espécie, servindo ainda de motivação para divergências entre os seguidores. Durante o período da marginalização dos cultos do gênero, criou-se a figura do “baixo espiritismo”, para separar as práticas não kardecistas ou científicas.

Naquele ano de 1950 a Caravana da Fraternidade, excursão nacional liderada por Leopoldo Machado, da Federação Espírita Brasileira, passou por nosso estado com a finalidade de unificar as casas espíritas, até então poucas e esparsas.  O Piauí contava com apenas sete Centros de Estudos entre capital e interior.

No nosso estado daquela época, falar na Doutrina fora dos centros e mesas de estudo era entregar-se ao ridículo, sob a égide da blasfêmia e do satanismo. O mundo das igrejas ditas cristãs não divergia espiritismo, candomblé, macumba, ocultismo, magia negra e similares, cultos afros, etc. sendo normal fiéis fazerem o sinal da cruz ao passar em frente a uma Casa Espírita, como meio de proteger-se do “mal”.

Fazer trabalho mediúnico era “estar com o diabo nos couros”; o termo “desobsessão” não era tão conhecido e as manifestações do gênero eram combatidas com surras penosas e mergulhos em soluções de ervas diversas, como meio de expulsar os demônios. Na Bahia, as manhãs de sábado eram marcadas pela presença de galinhas mortas em meio a álcool e fumo nos cruzamentos das cidades.

A Federação foi instalada no Piauí em 27 de novembro de 1950.  Os pioneiros, entre coragem e inspiração divina, deram início a um trabalho árduo, mas próspero. O gigantismo da unidade da federação, os caminhos difíceis e demorados a serem percorridos não foram obstáculos intransponíveis.

Vencer é triunfar diante de alguma coisa. Vencer quando o medo e a desconfiança é a cortina que separa o trabalhador do objetivo, é triunfo só permitido sob a luz de Algo Maior, de um brilho que somente o Pai e Mestre Jesus pode emitir.

A semente vingou. Hoje temos 32 Casas na Capital e igual número no interior, presentes em 17 cidades. E temos muito ainda o que fazer, diante dos mais de 200 municípios sem estabelecimentos de assistência.

Em Brasília os governos entram e saem sob a mesma desconfiança de sempre; na política as oligarquias se entreolham com o sindicalismo pelego, de braços dados com o fiasco corrupto que nasce na Capital Federal; a seca ainda perturba os nordestinos. Mas as centelhas divinas iluminadas trafegam ininterruptamente pelas camadas sociais, descortinando as esferas de além túmulo.  Falar de Alan Kardec, Chico Xavier e André Luiz, já não é motivo de rejeição na maioria das rodas. Não é raro pessoas que, mesmo não se declarando espíritas, se dizem ter encontrado na Doutrina as respostas para as perguntas que tanto lhes perturbaram até então.

“Estou precisando de um passe” virou frase corriqueira, como quem diz “tou precisando tomar um banho morno”. Uma nova onda de amor e respeito invade as pessoas, lhes direcionando para novos rumos, em busca de sua evolução moral, não obstante as notícias negativas que turbinam ambiciosamente os índices de audiência dos meios de comunicação.

Temos muito que fazer. A tarefa é árdua, mas generosa. Que venham outros 61 anos, outras secas, outros tempos, outros mundos. A FEPI estará de portas abertas.

Por Altevir Esteves, do Centro Espírita Lar da Caridade

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Que a Paz do mestre Jesus esteja contigo!